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Artista - Bar Italia
Título - Some Like It Hot
Gravadora - Matador
Ano - 2025
Formato - LP, vinil simples
“Some Like It Hot” é um filme de 1959 estrelado por Marilyn Monroe, Tony Curtis e Jack Lemmon, sobre um grupo de músicos fora da lei em uma jornada de aventuras. É engraçado, sexy, irreverente e atemporal — uma vitrine de um elenco triplo em plena potência. “Some Like It Hot” é também o novo álbum do trio londrino bar italia. Certos paralelos talvez não sejam acidentais. O disco pulsa com romance, intriga, autodescoberta e arrebatamento, atravessando rocks lascivos, folk pop hipnótico, baladas entorpecidas e momentos indefiníveis que surgem de surpresa, como um raio de sol às cinco da tarde. O álbum é a culminação do universo interior compartilhado por Nina Cristante, Jezmi Tarik Fehmi e Sam Fenton — três compositores e cantores que transcenderam suas raízes underground para abraçar um horizonte amplo e audacioso.
A sinergia dessa rotação franca a três está inscrita no DNA do grupo. Cristante traz aos vocais uma sensibilidade estudada de atriz, que vai do melado (“Marble Arch”) ao obstinado e possesso (“rooster”). Fehmi transita do barítono arejado e soturno (“Lioness”) às histerias de megafone mastigando microfone (“omni shambles”). Fenton, um tenor etéreo, alterna entre o melodismo místico e um soul luminoso de olhos azuis dentro dos mesmos oito compassos (“Plastered”).
O cultivo desse som foi lapidado por uma rotina implacável de composição e turnês. Com mais de 160 shows ao redor do mundo entre 2023 e 2024, eles dissiparam qualquer aura de mistério ao se tornarem um quinteto musculoso e exibicionista, igualmente à vontade em incitar mosh pits de festival ou em criar momentos de intimidade absoluta, de silêncio total.
O bar italia uniu a seriedade e a carga emocional de seus temas a um prazer evidente pelo espetáculo. São canções que torcem suas excentricidades em grandes refrões, brincando com identidade, emoção e performance até que as fronteiras se embaralhem. O clássico hollywoodiano que dá nome ao álbum termina com a frase imortal: “Bem, ninguém é perfeito.” Este disco, no entanto, chega bem perto.
