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Artista - Ana Roxanne
Título - Poem 1
Gravadora - Kranky
Ano - 2026
Formato - LP, vinil simples
“Eu queria viajar / Para casa, em direção a algum lugar”, sussurra Ana Roxanne sobre um drone suspenso e inquietante em “The Age of Innocence”. “Eu queria tentar / E ir muito longe.” Essas são as primeiras palavras ouvidas em Poem 1, reintroduzindo uma artista que atravessa uma fase visivelmente diferente daquela em que estava quando seu álbum de estreia, Because of a Flower, floresceu quase seis anos atrás.
De coração partido e reflexiva, Roxanne observa as transformações que vieram depois e revela uma nova ousadia. Sua voz está nua, vulnerável e viva, não mais escondida sob ruídos de fita ou perdida em loops e ecos soterrados por texturas eletroacústicas em camadas. Ao longo de Poem 1, Roxanne demonstra sua habilidade como cantora e compositora em um sentido clássico, usando a instrumentação limitada apenas para acentuar seus tons expostos. Frases suaves de piano e notas dedilhadas de baixo acompanham languidamente sua canção de angústia em “Berceuse in A-flat Minor, Op. 45”, fazendo com que cada palavra tenha peso.
Já em “Keepsake”, ela soa como se estivesse sozinha em um bar abandonado, limpando a poeira das teclas do piano enquanto faz um inventário de suas cicatrizes emocionais. Há cheiro de uísque velho no ar, mas Poem 1 é um álbum surpreendentemente sóbrio; sem nunca cair na autopiedade, Roxanne encontra catarse na lógica de suas expressões, distorcendo as bordas de suas memórias em apartes surreais e cinematográficos.
“Untitled II”, o centro emocional e desinibido do álbum, concretiza a promessa lynchiana presente desde seu primeiro EP, ~~~, lançado em 2019. “[Eu] sempre escolhia as músicas mais lentas e tristes de todo o repertório”, contou ela em 2021, lembrando do sonho adolescente de se tornar cantora de jazz. “Eu as rearranjava de um jeito muito lento e silencioso — essa sempre foi minha vibração.” Ronronando sobre um ritmo desacelerado e escovado, acompanhado por um piano fúnebre, Roxanne tangencia o brilho de um holofote quente, atravessando a fumaça do palco com suas evocações cristalinas.
E quando interpreta o lied “Stille Tränen”, de Robert Schumann, em “One Shall Sleep”, ela transforma as palavras de Justinus Kerner em um sussurro ecoando sua própria dor, narrando o poema do século XIX sobre sintetizadores viscosos e cordas etéreas.
Mas há uma luz surgindo no horizonte. Enterrando o passado na faixa coral “Cover Me”, Roxanne muda o ritmo e o clima em “Atonement”, elevando sua voz a uma inflexão delicada. “Correndo sozinha”, ela finalmente admite. “Correndo para frente e olhando adiante / Com uma longa estrada pela frente.”
