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Artista - 1984; Purple Snow; Jimi Macon; Creations Unlimited; We The People; Michael Liggins And The Super Souls; Stone Coal White; Black Lites; Ebony Rhythm Band; Cisneros And Garza Group; L.A. Carnival; The Revolution; The Black Conspirators; Black Maffia
Título - Function Underground: The Black And Brown American Rock Sound 1969-1974
Gravadora - Now-Again Records
Ano - 2017
Formato - coletânea / LP. vinil simples
14 faixas de Jimi Macon, Black Maffia, Blacklites e outros artistas, muitas delas reeditadas pela primeira vez. Lançamento em LP e CD com um encarte extenso, repleto de textos sobre uma parte importante — e frequentemente negligenciada — da história do rock n’ roll. A versão em vinil inclui um código para download em arquivos WAV.
Quase todo mundo consegue listar os grandes gêneros musicais afro-americanos: jazz, blues, R&B, soul, hip-hop, house, gospel. Mas um gênero influente costuma ficar de fora: uma música popular conhecida como rock n’ roll. O termo surgiu originalmente como uma forma de comercializar uma versão “mais aceitável para o público branco” de um estilo que já existia; antes de 1965, a linha entre rock n’ roll e R&B era tênue. Ike Turner gravou “Rocket 88” em 1951 e, embora tenha alcançado o primeiro lugar nas paradas de R&B da Billboard, muitos a consideram o primeiro disco de rock n’ roll.
A grande divisão entre R&B e rock n’ roll ocorreu após The Beatles e a chamada British Invasion dominarem as paradas em 1964. Ao mesmo tempo, o R&B entrou em uma nova fase — que viria a ser chamada de soul — incorporando mais elementos do gospel. Assim, em algum momento entre meados e o final dos anos 1960, o rock passou a ser percebido como algo voltado ao público branco. Quando artistas como Jimi Hendrix e Arthur Lee surgiram, eram frequentemente descritos como músicos negros entrando em um “mundo branco” — uma ideia equivocada que persiste até hoje, a ponto de o conceito de um músico negro de rock soar quase tão incomum quanto o de um “cowboy negro”.
Em meados dos anos 1960, o funk começou a substituir o soul como o ritmo que movimentaria o mundo. Conhecemos bem seus principais nomes — James Brown, The Meters, Kool & The Gang — e suas inovações: a síncope entre baixo e bateria em compasso 4/4, o uso dos metais como percussão, a guitarra com chicken-scratch e wah-wah. Sabemos de onde isso veio. Mas há uma influência crucial do funk que raramente é reconhecida: a atitude despreocupada herdada do rock n’ roll. Não é exagero dizer que o funk é, em certa medida, a resposta afro-americana à psicodelia e ao hard rock.
A ideia de “progressividade” que tomou conta do rock após o auge da psicodelia no final dos anos 1960 acabou se refletindo também no funk. No início dos anos 1970, enquanto a cena psicodélica e underground diminuía no rock branco, ela ganhava força na música negra. Praticamente toda cidade americana com uma grande população negra tinha suas próprias bandas de funk autossuficientes, que não se viam apenas como grupos de apoio, mas como conjuntos completos. Nessas bandas, tudo — composição, arranjos, produção e distribuição — era feito internamente. São essas formações que compõem esta coletânea. Apesar das diferenças entre elas, há algo em comum: estavam sempre atentas às novas direções do funk e do rock.
Esta coletânea levanta questões importantes sobre por que sabemos tão pouco sobre essas bandas e o movimento do qual fizeram parte. Talvez nunca haja uma resposta definitiva sobre suas reais intenções, mas é certo que levavam sua música muito a sério — e sabiam que estavam fazendo algo diferente, algo que, mesmo que apenas seu círculo próximo percebesse, era mais interessante do que o padrão vigente. Function Underground ilumina uma parte essencial e negligenciada da história do rock n’ roll, destacando grupos talentosos que trabalharam à margem, muitas vezes ignorados ou até ridicularizados por seus próprios pares.
“Você percebe que o Hendrix já tinha morrido antes que a maioria das pessoas negras na América soubesse que ele era um homem negro?”, questiona retoricamente Matthew Watson, baterista da Ebony Rhythm Band. “A gente era desprezado. Naquela época, todo mundo na comunidade negra usava ternos, alisava o cabelo ou usava afro. Nós fomos os primeiros a usar calças boca de sino. Os primeiros a usar chapéus grandes. A gente estava em outra vibe completamente diferente.”
