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International Anthem
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Descrição

Artista - Tomin

Título - Flores Para Verene / Cantos Para Caramina

Gravadora - International Anthem

Ano - 2024

Formato - LP, vinil simples

 

Aos 27 anos, Tomin Perea-Chamblee é um multi-instrumentista centrado em metais e palhetas, compositor e arranjador de peças com harmonias elegantemente intrincadas, um músico às vezes relutante e um entusiasta do Brooklyn (nascido e criado lá — sua admiração se volta principalmente ao bairro antes da gentrificação), que durante o dia trabalha como bioinformata. Se você está em Nova York, há uma boa chance de já tê-lo ouvido tocar, ao lado de bandas e músicos jovens (com inclinações ao jazz) de certo renome. Flores para Verene / Cantos para Caramina apresenta Tomin como artista solo a um público mais amplo e, em muitos aspectos, é uma homenagem à família e à herança. É uma música guiada por um propósito claro e por uma gravidade que parece ir além de sua juventude, mas também tingida por cores inesperadas, abrindo espaço para uma sensação de novidade e esperança que ultrapassa a solenidade da tradição.

Tomin vem lançando de forma independente, desde 2020, as músicas reunidas em Flores para Verene / Cantos para Caramina. Originalmente, essas peças eram exercícios discretos de expressão pessoal, pequenos marcos de beleza intencional — e também uma espécie de culminação. Quando decidiu gravá-las, ele já havia sido trombonista no ensino médio na Jazz at Lincoln Center Youth Orchestra e um instrumentista versátil na banda Standing on the Corner, enquanto estudava na Columbia. Registrar esses sons em fita era apenas uma questão de tempo e continuidade.

Flores para Verene (“Flores para Verene”) reúne versões solo, em clarinete e trompete, de composições de alguns dos grandes referenciais musicais de Tomin — Charles Mingus, John Coltrane, Rahsaan Roland Kirk, Albert Ayler, Eddie Gale, entre outros. As gravações foram feitas em homenagem à sua grande heroína, sua avó materna, Virlenice Diaz Valencia, falecida no fim de 2019 em sua Colômbia natal. (As notas do disco expressam com rara clareza o amor entre os dois.) Essas versões são miniaturas — construções breves e sobrepostas que apresentam pouco mais do que o tema das músicas, em gravações lo-fi que abraçam até o som das chaves do clarinete — mas carregadas de intimidade. Como nos melhores sons, riso e lágrima coexistem aqui.

No lado Cantos para Caramina (“Canções para Caramina”), são as composições originais de Tomin — dedicadas à sua irmã mais velha, Caramina, que está viva — que ganham destaque. Os metais dão lugar às ondas senoidais de sintetizadores e teclados elétricos. A saudade é substituída pelo fascínio por um futuro ainda por acontecer. O ambiente textural se enche de abstrações melódicas que evocam Erik Satie ou Emahoy Tsegué-Maryam Guèbrou, talvez até Sun Ra em sua faceta mais íntima. Em 2021, com a esperança voltando ao horizonte, Tomin quis homenagear Caramina criando algo novo. E esse conjunto de quatro composições (igualmente concisas) dança como um encontro de anjos na ponta de um alfinete. Nada excessivamente elaborado, mas profundamente respirável. Um tipo de música que insiste: “há mais neste mundo.”

— Piotr Orlov