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Celestial Records
Descrição

Artista - Silver Apples

Título - The Garden

Gravadora - Celestial Records

Ano - 2010 (1998)

Formato - material de arquivo / reedição / LP, vinil duplo / capa dupla

 

O infame “terceiro álbum perdido” — que havia apenas começado a ser gravado quando o selo da banda fechou — foi redescoberto em 1998. Ele contém 7 faixas originais completas, além de várias trilhas de bateria de músicas inacabadas, mais 2 faixas inéditas. Uma pequena quantidade chegou a ser vendida anos depois durante uma turnê.

Os Silver Apples viveram um renascimento no fim dos anos 1990, quando uma nova geração passou a valorizar a dupla experimental pioneira do final dos anos 60. Cópias do terceiro álbum da banda, que havia desaparecido misteriosamente, foram encontradas em uma caixa de papelão no sótão do baterista Danny Taylor. A notável reunião da formação original — Simeon Coxe (creditado apenas como Simeon nas gravações) e Taylor — não foi planejada. Após 27 anos separados, eles se reencontraram quando um DJ da lendária rádio WFMU, em Nova Jersey, recebeu um telefonema de Taylor durante uma campanha de arrecadação da emissora.

Taylor estava afastado da música havia anos, e sua ligação acabou criando as condições para que Simeon — já conhecido na WFMU — reacendesse o interesse pelas primeiras gravações dos Silver Apples. Quase 30 anos após as sessões de 1968 e 1969, as gravações foram finalmente lançadas pelo próprio selo da banda, Whirlybird Records. O material inclui sete músicas completas de 1969 e sete instrumentais de bateria gravados por Taylor em 1968.

As demos de bateria de 1968 foram combinadas com experimentações (“noodles”) feitas por Simeon em 1998, criando uma ponte musical de 30 anos que torna o resultado ainda mais surpreendente. A dupla optou por alternar as faixas completas com essas colagens experimentais, resultando em um álbum propositalmente fragmentado. Talvez as músicas clássicas funcionassem melhor apresentadas de forma contínua, deixando os experimentos de 1968/1998 para o final do disco.

Desde a abertura leve e animada, “I Don’t Care What People Say”, fica claro que a banda levava o título ao pé da letra. A inventividade dos Silver Apples atingia novos patamares em uma época de constantes mudanças musicais. A versão de “Mustang Sally”, na nona faixa, mostra a paixão da dupla pelo rock mais energético, cuja intensidade percorre todo o álbum. O esforço necessário para lançar esse disco em 1998 reforça o espírito experimental contínuo da dupla. Faixas como “Again” e “Mad Man Blues” evidenciam o quanto estavam à frente de seu tempo. Os Silver Apples recusavam os padrões da indústria musical, preferindo seus próprios experimentos sonoros hipnóticos. — All Music Guide

Por uma espécie de golpe de sorte misterioso, o produtor Sixtoo e o selo Bully conseguiram os direitos exclusivos desse obscuro terceiro álbum dos mestres do psicodelismo eletrônico, os Silver Apples. Além disso, produziram a primeira edição em vinil desse LP essencial, incluindo ainda faixas bônus inéditas.

O nome da banda foi inspirado na mesma fonte poética que Morton Subotnick usou em seu clássico Silver Apples of the Moon, e essa referência já sugere a presença de um psicodelismo ácido na sonoridade. Entre as faixas, destaque para “Tabouli Noodle”, que apresenta uma variação sombria e funk à la Stereolab — com uma dose extra de experimentalismo — lembrando que isso foi feito em 1970.

O álbum conta com 14 faixas, divididas entre canções psicodélicas com vocais e intensos exercícios instrumentais de bateria e sintetizadores. Esses últimos, em especial, parecem refletir o principal motivo de Sixtoo para lançar o disco pelo selo Bully — uma decisão mais do que acertada. Remasterizado e mixado pelo próprio Sixtoo, trata-se de uma das reedições/redescobertas mais bem-vindas de 2006, e um disco essencial para fãs do produtor, do psych rock vocal e do acid funk pesado. Imperdível.