loja física aberta de quarta a sábado / 11h-18h
Esgotado
R$300,00
5% de desconto pagando com Pix
Ver mais detalhes
Discomate
Descrição

Artista - Shūdan Sokai = 集団疎開

Título - その前夜 - Live At 八王子 Alone

Gravadora - Discomate

Ano - 2023 (1967)

Formato - reedição remasterizada / LP, vinil simples / capa dupla

 

Primeira reedição desta raridade do free jazz japonês, registrada pelo grupo que antecedeu a Seikatsu Kōjyō Iinkai Orchestra. Edição em LP com capa gatefold em estilo clássico, acompanhada de fotografias raras e texto de encarte assinado por Alan Cummings. Tiragem limitada a 500 cópias.

O único álbum lançado de forma independente pelo quarteto Shūdan Sokai, em 1977, é um dos documentos mais vitais do free jazz japonês de meados dos anos 1970. O disco registra a cena livre de Tóquio justamente no momento em que ela começava a migrar para um pequeno grupo de espaços alternativos situados nos limites oeste da cidade.

Em Free Jazz in Japan, Teruto Soejima identifica o ainda existente Aketa no Mise, em Nishi-Ogikubo, como o pioneiro desse deslocamento para fora do centro. Instalado em um porão apertado sob uma loja de arroz e com capacidade para apenas vinte pessoas, o espaço era administrado pelos próprios músicos e funcionava com recursos mínimos. Ainda assim, esses locais tornaram-se fundamentais como pontos de encontro para a comunidade, a criatividade e uma modesta independência financeira. Como se dizia na época: “mesmo sendo um porão, em espírito era um loft.”

Entre os mais ativos desses novos espaços estava o Alone, em Hachiōji, a quase uma hora de Shinjuku, em uma região marcada pela presença de universidades, aluguéis mais acessíveis e uma vibrante cena contracultural. Originalmente inaugurado em 1973 como um jazu kissa (cafeteria dedicada à audição de jazz), o Alone era excepcionalmente amplo e contava com palco, piano de cauda e bateria.

Por volta de 1974, Junji Mori e Yasuhiro Sakakibara passaram a trabalhar no local, organizando apresentações de músicos de free jazz nos fins de semana e transformando o espaço em um polo essencial da cena. Mori recorda as primeiras apresentações de artistas como Kazutoki Umezu, Toshinori Kondo e outros nomes que viriam a definir o movimento.

No início de 1976, Umezu e o pianista Yoriyuki Harada — recém-chegado do ambiente do loft jazz nova-iorquino, onde havia tocado com músicos como David Murray e William Parker — formaram o Shūdan Sokai ao lado de Mori e do baterista Takashi Kikuchi.

O nome do grupo, que significa “evacuação em massa”, fazia referência ao exílio voluntário que seus integrantes haviam escolhido ao se estabelecer em Hachiōji. Tendo o Alone como base de operações, o quarteto desenvolveu uma música marcada por um contagiante senso de prazer coletivo e pela disposição de integrar o free jazz a elementos da canção tradicional. Harada alternava entre o piano e o contrabaixo, enquanto o grupo experimentava peças vocais próximas do rap, recitando cantigas infantis sobre linhas rítmicas de baixo.

Em 24 de dezembro, eles retornaram ao Alone para gravar Sono zen'ya (Eve), lançado pelo próprio selo do grupo, Des Chonboo Records, parcialmente financiado por anúncios de comerciantes locais impressos na contracapa do disco.

A faixa de encerramento, “Ballad for Seshiru”, dedicada ao filho recém-nascido de Harada, desenvolve-se a partir de uma delicada melodia de piano que gradualmente se transforma em acordes enfáticos, enquanto linhas entrelaçadas de saxofone alto se elevam e se espiralam.

O Alone encerrou suas atividades em setembro de 1977 e o Shūdan Sokai logo se dissolveu, posteriormente dando origem à ampliada Seikatsu Kōjyō Iinkai Orchestra.

O que permanece é um registro profundamente enraizado em um lugar e em um momento específicos: uma cena ferozmente independente, sustentada por pequenos espaços, escuta atenta e um forte compromisso coletivo.