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Stroom
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Descrição

Artista - Patrick Stas

Título - If Paul K​​​​​.​'s Life Was A Movie, This Would Be The Soundtrack Of His Death

Gravadora - Stroom

Ano - 2023

Formato - coletânea / LP, vinil simples

 

Patrick Stas chegou ao planeta Terra em 25 de janeiro de 1954, em Ixelles, Brussels. Ali passou seus primeiros anos, até que seus pais decidiram encerrar a carreira no ramo de catering na capital. Segundo ele próprio, a música não despertava interesse no jovem Patrick. A coleção de discos dos pais o deixava indiferente — grupos como Les Compagnons de la Chanson, muito queridos por eles, lhe irritavam. Apenas um disco conseguiu encantá-lo: um álbum de soul de Sam & Dave. Coincidentemente, era um disco que sua mãe detestava. Ninguém sabe como foi parar na coleção, mas foi a faísca que acendeu sua paixão pela música — um fogo que só se apagaria com sua morte.

Sua descoberta seguinte foi Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos The Beatles. A partir daí, as descobertas musicais vieram em sequência. Já não estava mais na capital: seus pais haviam se mudado para as Ardennes, onde abriram o restaurante “le père Finet”, e Patrick foi junto. Ali, tornou-se um talentoso pescador — outra paixão que o acompanharia por toda a vida. Além da pesca, frequentava bailes, já que naquela época não existiam discotecas na região.

Em uma dessas noites, voltando de um baile com amigos, o rádio do carro tocou Fun House, dos The Stooges. O som cru e direto da banda de Iggy Pop o impactou profundamente. Foi seu primeiro contato com o punk — e certamente não o último. Ainda assim, a cena punk permaneceu distante por algum tempo, já que havia poucas pessoas com interesses semelhantes nas Ardenas. Foi então que Patrick decidiu se tornar DJ, adotando o nome Disco Banane, animando os bailes com a música que preferia.

A mudança veio quando se mudou para Liège. Lá, mergulhou na cena punk local e também descobriu o dadaísmo — dois movimentos que influenciariam fortemente sua obra. Frequentava o espaço La Cave 22, na Rue Jean d’Outremeuse, onde shows eram realizados às sextas-feiras, até o local fechar poucos meses depois. Em busca de outro espaço, encontrou o Le Cirque d’Hiver. Em uma noite em que iria assistir a um show das The Slits, a banda cancelou de última hora e foi substituída por outro grupo punk britânico. Essa apresentação o inspirou a criar seu próprio projeto musical.

Logo depois, passou a ensaiar em seu porão com outros três músicos locais. Assim nasceu o grupo Gheneral Thî et Les Fourmis. Utilizando equipamentos improvisados — incluindo um sintetizador Korg MS-20, baixo, saxofone e uma drum machine parcialmente queimada comprada por 20 francos belgas — criaram suas primeiras músicas, que Stas mais tarde descreveu como “des bruits d’enfer” (ruídos do inferno).

Nesse mesmo período, foi convidado a compor a trilha para um documentário sobre fábricas abandonadas. Gravou uma fita com fragmentos feitos com a banda e, sem grandes expectativas, enviou uma cópia anônima à revista Télémoustique. Para sua surpresa, a publicação fez uma crítica extremamente entusiasmada — o que, segundo ele, aumentou significativamente seu sucesso com as garotas locais.

O passo seguinte foi fundar seu próprio selo, o Home Produkt. Fiel ao espírito DIY dos anos 80, tudo era feito por ele mesmo, na mesa da cozinha de sua casa em Liège: gravação, design, produção e envio. O selo abraçava a experimentação e lançou não só seus próprios trabalhos como também de outros artistas, além de compilações cult como Creep-z, An Der Schönen Blauen Donau e Brabançonnes. Esta última surgiu após um convite do governo belga para novas versões do hino nacional, reunindo 33 faixas de artistas da cena de cassetes.

A operação do selo também contou com a ajuda de sua então namorada Pascale G., responsável pelo design gráfico, com colaboração de artistas como Albert e Guido. O resultado eram objetos únicos, muitas vezes com humor irônico, produzidos com dedicação intensa.

Além de lançar outros artistas, Patrick também produziu muita música própria, frequentemente sob o pseudônimo Paul K. — ou variações como Sats Kirtap (seu nome ao contrário). Em 1980, conheceu Denis Mpunga, com quem formou o projeto Denis Mpunga & Paul K., incentivando uma abordagem mais experimental.

Patrick encerrou sua atividade no auge — ainda que modesto. O nascimento de seu filho mudou suas prioridades, e o selo deu lugar às responsabilidades familiares. Tornou-se professor na Haute École de Liège, ensinando escrita multimídia e narração interativa, mantendo a música presente em sua prática pedagógica. Anos depois, embora não tenha retomado o selo, continuou fazendo música em casa, com seu MS-20, computador e iPad.

No final de 2020, Patrick Stas faleceu inesperadamente após ser transferido de helicóptero para um hospital em Lier. Seis semanas depois, deu seu último suspiro. A coletânea If Paul K.’s Life Was a Movie, This Would Be the Soundtrack of His Death, planejada desde 2018, acabou sendo lançada postumamente. Hoje, ela se dedica à vida e obra desse modesto, porém visionário e hedonista iconoclasta de Liège: Patrick Stas (1954–2020).