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Discomate
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Descrição

Artista - Marion Brown

Título - Awofofora

Gravadora - Discomate

Ano - 2023 (1967)

Formato - reedição remasterizada / LP, vinil simples / capa dupla

 

Primeira reedição desta raridade do free jazz nipo-americano. Edição em LP com capa gatefold em estilo clássico, acompanhada de fotografias raras e texto de encarte assinado por Ed Hazell. Tiragem limitada a 1.000 cópias.

A década de 1970 foi o período mais investigativo da trajetória de Marion Brown, uma fase em que o saxofonista procurou ir além do free jazz da década anterior para encontrar abordagens mais pessoais na organização da improvisação e da composição. Após deixar Nova York e se mudar para a Europa, em 1967, Brown começou a reformular sua música em direção ao que descrevia como “um tipo de música mais deliberada e mais estruturada”, desenvolvendo-a de forma gradual para que atmosferas e modos pudessem amadurecer ao longo do tempo.

Álbuns como In Sommerhausen, Afternoon of a Georgia Faun, Geechee Recollections e Sweet Earth Flying documentam essa evolução: as estruturas rítmicas passaram a ocupar o primeiro plano, a harmonia tornou-se menos central e a composição passou a funcionar como uma orquestração de partes rítmicas interligadas, à maneira de linhas polifônicas.

Lançado em 1976, Awofofora é uma peça pouco reconhecida, mas fundamental nessa trajetória. Na época, a presença de batidas inspiradas no funk e no reggae, guitarras elétricas e grooves oriundos da música popular negra contemporânea levou parte da crítica a interpretá-lo equivocadamente como uma incursão pelo jazz-rock. Em retrospecto, porém, o álbum é totalmente coerente com a metodologia de Brown. Assim como admirava no Art Ensemble of Chicago, o impulso criativo nasce de dentro da própria comunidade. Aqui, Brown filtra ritmos afro-caribenhos e elementos do funk através de sua própria sensibilidade, abstraindo suas qualidades estruturais em vez de simplesmente adotar seus aspectos superficiais.

“La Placita”, registrada em disco pela primeira vez, sobrepõe diferentes frases rítmicas de maneira semelhante aos conjuntos de percussão africanos, sobre as quais Brown e o trompetista Ambrose Jackson desenvolvem longas improvisações. O standard “Flamingo” é reformulado por meio de ritmos da diáspora africana e solos líricos, enquanto “Pepi's Tempo” e “Mangoes” utilizam grooves precisos de funk e reggae para produzir aquilo que Brown chamava de uma “manifestação de comunidade” por meio da improvisação coletiva.

Até mesmo a faixa solo sobreposta, “And Then They Danced”, reflete seu pensamento estrutural, reinterpretando engenhosamente uma composição originalmente concebida como um dueto para dois saxofones altos, executada aqui por um único músico.

Este foi o único registro dessa banda de curta duração, cuja passagem por festivais em 1976 chegou a dividir opiniões. Ainda assim, Brown sempre buscou a unidade em meio à transformação: sons diferentes, os mesmos princípios — o ritmo como estrutura, a melodia como arquitetura, a improvisação coletiva e, acima de tudo, a primazia do timbre.

Awofofora não representa uma ruptura, mas sim uma síntese vibrante dos elementos que Marion Brown vinha refinando desde o final dos anos 1960. Seus grooves e as linhas douradas de saxofone alto transmitem uma música extraída, nas próprias palavras do artista, “da vida e do mundo da experiência.”