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Hyperdub
Descrição

Artista - Laurel Halo

Título - Dust

Gravadora - Hyperdub

Ano - 2017

Formato - LP, vinil simples / capa dupla

 

Laurel Halo retorna à Hyperdub para seu terceiro LP com uma nova abordagem e um novo som. Partindo da abstração eletrônica de In Situ, de 2015 — mas ainda dialogando claramente com o cultuado Quarantine, de 2012 — Dust gira em torno de músicas soltas e lânguidas: distorcidas, ensolaradas, derretidas e, às vezes, melancólicas e obscuras.

Gravado ao longo de dois anos, o processo de composição começou no EMPAC, no interior do estado de Nova York, em janeiro de 2015. Com acesso a microfones, percussões, teclados e diversas possibilidades de roteamento sonoro, Laurel passou dias sozinha no espaço cavernoso antes de convidar os músicos Eli Keszler e Lafawndah para se juntarem a ela. Dessas sessões surgiria o álbum: uma coleção de canções leves e fragmentadas, construídas sobre instrumentação orgânica, subgraves e eletrônica inquieta e detalhista.

Composições sinceras encontram estratégias de recorte modal; improvisação instrumental se mistura a uma fina poeira digital. Tátil e fibroso do começo ao fim, o disco faz vocais e percussões respirarem juntos, dando vida uns aos outros. Grooves oscilam e desmoronam, enquanto baterias acústicas são transformadas em melodias sensuais e febris. As letras também funcionam como uma espécie de bricolagem, sem narrador definido ou tempo específico, entrando e saindo de foco — algo refletido visualmente no encarte do álbum.

Expandindo ainda mais suas referências, a faixa de abertura “Sun To Solar” é uma adaptação de “Servidão de Passagem”, do poeta concretista brasileiro Haroldo de Campos. Em sintonia com a sonoridade do disco, Dust apresenta “Laurel Halo” como um elenco flexível de personagens. Repleto de diálogos e colaborações, o álbum reúne vozes como Klein, Lafawndah e Michael Salu, além de músicos como Eli Keszler, Julia Holter e Diamond Terrifier.

As influências vorazes de Laurel aparecem aqui em versões mutantes: fundidas, livres e inclusivas, formando uma paleta musical ampla que rejeita estilos fixos e só poderia existir através das possibilidades da produção digital em 2017.