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Shelter Press
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Descrição

Artista - JJJJJerome Ellis

Título - Vesper Sparrow

Gravadora - Shelter Press

Ano - 2025

Formato - LP, vinil simples

 

O trabalho de JJJJJerome Ellis habita com naturalidade os espaços entre o silêncio e a possibilidade. O artista negro, com deficiência, de ascendência grenadina, jamaicana e norte-americana cria paisagens sonoras atmosféricas com saxofone, órgão, dulcimer martelado, eletrônica e sua própria voz. A improvisação está no centro de sua prática artística — muitas vezes esculpindo grandes blocos de gravações para revelar a peça, como um escultor que talha mármore. Trata-se de uma prática expansiva e interdisciplinar que permite a JJJJJerome adaptar-se a qualquer meio ou forma, incluindo música gravada, teatro e performance ao vivo, trilhas sonoras, spoken word e narrativas, além de obras multimídia e visuais que incorporam som.

Vivendo como uma pessoa que gagueja, usar a boca para se expressar foi algo difícil durante a infância. A grafia de seu nome artístico — “JJJJJerome” — vem da percepção de que a palavra em que mais gagueja é o próprio nome. Apesar de uma breve passagem pela fonoaudiologia quando criança, tudo mudou quando começou a tocar saxofone na sétima série. “Eu ainda gaguejo no saxofone, mas é diferente.” Como artista, seu ethos criativo hoje gira em torno da exploração da gagueira através da música, expandindo a ideia de como ambas podem moldar o tempo. Sua arte honra a gagueira.

Sua trajetória começou improvisando com CDs de John Coltrane e Billie Holiday no saxofone. Mas, sendo alguém interessado em explorar limites e restrições, JJJJJerome floresceu como um multi-instrumentista habilidoso, cada instrumento abrindo novos caminhos para possíveis mundos sonoros. Sua voz também é guiada por uma reverência pela terra e pelos ancestrais — humanos ou não. Com laços familiares maternos com a igreja, e lembranças de sua avó atuando como pianista e organista, seu interesse recente por teclados carrega um significado especial.

Seu próximo segundo álbum, Vesper Sparrow, lançado pela Shelter Press, nasce justamente dessa conexão com a tradição religiosa negra e com a herança cultural. O disco continua a investigação do artista sobre as interseções entre música e som, gagueira e negritude, tudo através da lente do tempo. O álbum é composto por dois pensamentos completos e gira em torno de uma gagueira gravada. JJJJJerome divide a composição em quatro partes “Evensong”, fazendo desaparecer gradualmente a gagueira na segunda parte e inserindo as faixas três e quatro — “Vesper Sparrow” e “Black-Throated Sparrow” — entre elas. “A gagueira se torna um momento estruturante”, explica o artista, referindo-se à possibilidade de preencher o tempo que se abre.

A suspensão torna-se então um elemento fundamental da linguagem musical de JJJJJerome. Tanto a gagueira quanto a síntese granular podem suspender momentos no tempo e “convidar múltiplas formas de habitar, atravessar e se conectar com os outros nesses instantes”. O artista também incorpora elementos da produção pop — texturas eletrônicas e distorções parcialmente inspiradas pelo indie rock — além de spoken word, sampling e manipulação de áudio provenientes de tradições musicais caribenhas e afro-americanas.

A obra de JJJJJerome já recebeu amplo reconhecimento. Seu álbum de estreia The Clearing (2021), lançado pela NNA Tapes, e o livro que o acompanha (publicado pela Wendy’s Subway) receberam o Anna Rabinowitz Prize em 2022 por sua “incansável investigação do tempo linear”, nas palavras da escritora Claudia Rankine. Seu trabalho já foi apresentado em importantes instituições culturais, internacionalmente na Venice Biennale de 2023 e no Rewire Festival, e nos Estados Unidos em espaços como o Whitney Museum of American Art, The Shed, o Center for African American Poetry and Poetics e o National Sawdust. JJJJJerome também recebeu uma bolsa Fulbright Program (2015), o Creative Capital Grant (2022) e diversas residências da MacDowell (2019, 2022). Mais recentemente, recebeu encomendas do Metropolitan Museum of Art e da Ars Nova.

Natural da Virginia, JJJJJerome atualmente vive em um mosteiro no território tradicional Nansemond e Chesepioc — hoje conhecido como Norfolk, na Virgínia. Mora com sua esposa, a poeta-ecóloga Luísa Black Ellis. Formou-se em teoria musical e etnomusicologia pela Columbia University, e posteriormente lecionou design de som na Yale University. Ao lado do amigo de infância James Harrison Monaco, cria vastas produções de narrativa sonora sob o nome James & JJJJJerome. Um de seus sonhos é construir uma casa de banhos sonora.