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International Anthem
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Descrição

Artista - Ariel Kalma; Jeremiah Chiu; Marta Sofia Honer

Título - The Closest Thing to Silence

Gravadora - International Anthem

Ano - 2024

Formato - LP, vinil simples

 

Em agosto de 2022, o lendário músico de fourth world music nascido na França e radicado na Austrália, Ariel Kalma, foi convidado a participar da série especial de colaborações Late Junction, da BBC Radio 3. O programa reúne artistas que nunca trabalharam juntos anteriormente para criar novas músicas de forma colaborativa.

Kalma rapidamente sugeriu trabalhar com dois músicos que nunca havia encontrado — os artistas da International Anthem, Jeremiah Chiu e Marta Sofia Honer, cujo aclamado álbum de estreia em duo, Recordings from the Åland Islands, havia sido lançado poucos meses antes. O convite foi recebido com grande entusiasmo, já que Chiu era fã de longa data do trabalho de Kalma, citando-o inclusive como uma grande influência em sua abordagem à composição eletrônica.

A estrutura essencial da colaboração do Late Junction era que os artistas criassem cerca de vinte minutos de música. Eles começaram a trocar arquivos — alguns iniciados por Kalma, outros por Honer e Chiu —, cada um adicionando ou editando antes de devolver ao outro. As faixas iam e voltavam apenas algumas vezes antes de serem finalizadas.

Após atingirem a meta de vinte minutos (quatro peças no total), os três músicos ficaram satisfeitos com o material e o enviaram aos produtores do programa. No entanto, havia a sensação de que aquilo não era o fim da história. Algumas peças estavam quase prontas, mas não foram incluídas, e havia muitas ideias para desenvolver ainda mais o material existente. Com isso em mente, Kalma, Chiu e Honer decidiram continuar colaborando para expandir a música. O trio recém-formado sentia que ainda havia muito a dizer. O programa foi ao ar em setembro de 2022, enquanto, paralelamente, eles seguiam trabalhando intensamente por meses no desenvolvimento das composições.

A abordagem coletiva nasceu da improvisação e foi concretizada por meio de edição em estilo colagem. O resultado final coloca em diálogo momentos musicais distintos — às vezes gravados com décadas de diferença — criando novas narrativas a partir de fragmentos antigos. Há trechos de improvisações dos três músicos, combinados com gravações feitas por Kalma nos anos 70 no Groupe de Recherches Musicales (GRM), além de registros de áudio como anotações faladas do próprio Kalma explicando suas ideias, que acabaram integrando as mixagens finais.

No fim, o conjunto de músicas destaca o trabalho dos três artistas, entrelaçando a imersão contextual presente em Recordings from the Åland Islands com uma reverência intergeracional à vasta obra de Kalma — cuja presença é inegável. Trata-se de um trabalho que reafirma seu lugar como um dos grandes pioneiros e sábios da música new age e fourth world. Essa reverência se reflete no título do álbum escolhido pelo grupo, The Closest Thing to Silence, inspirado em uma citação de Kalma presente em um documentário da RVNG Intl. (lançado junto à coletânea retrospectiva An Evolutionary Music, de 2014). Talvez por coincidência, a frase de Kalma ecoa levemente o famoso lema da ECM Records, ao afirmar: “A música é a coisa mais próxima do silêncio.”