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Dead Oceans
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Descrição

Artista - Japanese Breakfast

Título - For Melancholy Brunettes (& sad women)

Gravadora - Dead Oceans

Ano - 2025

Formato - LP, vinil simples / capa dupla

 

Depois de uma década aproveitando ao máximo espaços improvisados de gravação — em galpões, trailers e sótãos — o quarto álbum do Japanese Breakfast, For Melancholy Brunettes (& sad women), marca o primeiro lançamento da banda feito em um estúdio de verdade. Produzido pelo vencedor do Grammy Blake Mills, o disco mostra a vocalista e compositora Michelle Zauner recuando da extroversão brilhante que definiu seu antecessor Jubilee para examinar as ondas mais sombrias que fervilham por dentro: o campo fecundo e melancólico, há muito tempo associado ao estado psíquico dos poetas às portas da inspiração. O resultado é uma declaração artística de propósito: uma obra madura, intrincada e contemplativa, que evoca o arrebatamento romântico de um romance gótico.

For Melancholy Brunettes surge após um período transformador na vida de Zauner, durante o qual seu álbum de grande sucesso indicado a dois Grammys, Jubilee, e seu best-seller Crying In H Mart a catapultaram para o mainstream cultural, realizando suas ambições artísticas mais profundas. Ao refletir sobre esse sucesso, Zauner passou a reconhecer a ironia do desejo, que tantas vezes mistura êxtase e ruína. “Me senti seduzida por conseguir o que sempre quis”, diz ela. “Estava voando perto demais do sol e percebi que, se continuasse, eu iria morrer.”

A sina de Ícaro — e de outros condenados semelhantes — dá a For Melancholy Brunettes seu tema mais persistente: os perigos do desejo. Como a luz que se dispersa em espectros, suas partes levam as personagens do álbum por ciclos de tentação, transgressão e punição. Em “Orlando in Love” — uma releitura da releitura de John Cheever sobre Orlando Innamorato, épico renascentista inacabado em 68 ½ cantos de Matteo Maria Boiardo — o herói é um poeta bem-intencionado que estaciona seu trailer à beira-mar e sucumbe ao chamado de uma sereia, resultando em seu 69º canto (mesmo no universo elevado do mito clássico, Zauner não resiste a uma pitada de duplo sentido). Já “Honey Water” mergulha na raiva contida de uma mulher casada com um homem infiel, que o vê ceder repetidamente à luxúria como um inseto rasteiro que perpetua sua própria destruição.

A tristeza é de fato a tonalidade emocional dominante deste disco, mas é uma tristeza de forma rara: a tristeza pensativa e premonitória da melancolia, em que o reconhecimento do caráter essencialmente trágico da vida vem acompanhado da sensibilidade à sua beleza fugaz. Zauner encontra espaço nesse sentimento para lampejos de esperança. São as consolações dos mortais às quais poetas antes dela já recorreram — e às quais poetas depois dela continuarão a retornar: o amor e o trabalho. Embora ecoem como resoluções ao longo das muitas passagens do álbum, ressoam com mais força em sua faixa final, “Magic Mountain”, um diálogo com o famoso romance homônimo de Thomas Mann. Para ela, criar qualquer obra é como escalar uma montanha — mas, do cume de For Melancholy Brunettes, ela contempla o futuro.