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DAIS Records
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Descrição

Artista - Coil

Título - Black Antlers

Gravadora - Dais Records

Ano - 2004 (2025)

Formato - reedição (primeira oficial em vinil) / LP, vinil duplo, vermelho translúcido

 

No final dos anos 1990, após uma carreira bem-sucedida como diretor de videoclipes na era da MTV, Peter 'Sleazy' Christopherson mudou-se com Jhonn Balance — seu parceiro de vida e de Coil — de London para a zona rural de Weston-super-Mare, criando um ambiente dedicado a todas as coisas “musick, musick, musick!”. A casa tornou-se um espaço de intensa atividade criativa, com uma porta giratória de novos colaboradores, incluindo Thighpaulsandra. Essa explosão produtiva fez com que a discografia do Coil praticamente dobrasse.

Durante esse período fértil, Thighpaulsandra fez uma pergunta simples: por que o Coil não tocava ao vivo? Após uma espera de 16 anos — e graças aos rápidos avanços tecnológicos representados por MacBooks, DAWs, VSTs e plugins — o grupo finalmente conseguiu levar sua música ao palco da forma como sempre havia imaginado. Em apresentações ao vivo, puderam abraçar os riscos e as liberdades da manipulação sonora em tempo real. Como observou Christopherson: “Remodelamos o show minuto a minuto… a direção é muito espontânea, não exatamente como a improvisação do jazz, mas como um fluxo de consciência… Thighpaulsandra trouxe sua sabedoria e nos convenceu de que poderíamos fazer isso.”

Entre 1999 e 2003, o Coil era “como uma cobra trocando de pele”, transformando-se a cada seis meses em algo “completamente diferente”. Essa evolução foi documentada em tempo real graças ao surgimento de CD-Rs de produção mais barata, resultando em álbuns de edição limitada como Constant Shallowness Leads to Evil e Queens of the Circulating Library. Ao se preparar para a série de shows “Even an Evil Fatigue”, em 2004, o grupo iniciou o trabalho naquele que seria o próximo grande marco de sua trajetória: Black Antlers.

Black Antlers apresenta o Coil de sua fase final em estado mais puro: mais enxuto, direto e conciso. A música tornou-se mais rítmica, com maior ênfase em batidas. “As músicas que fazíamos tendiam a ser mais… não rock em qualquer sentido da palavra, mas mais convencionais em termos de estrutura; agora o que estamos fazendo está, de certa forma, dentro de um gênero ‘eletrônico’.” O som do álbum carrega uma energia intoxicante, combinando a síntese avançada de Thighpaulsandra, o lirismo poético de Balance e as aproximações de Christopherson com o jazz e o maximalismo digital auxiliado por PowerBook e Ableton.

Completando o trio estavam o renomado tocador de hurdy-gurdy Cliff Stapleton, em uma versão elétrica “especialmente encomendada” do instrumento; o percussionista Tom Edwards, formado pela Royal Academy of Music (que também tocou com Thighpaulsandra na banda ao vivo do Spiritualized); e o multi-instrumentista de sopros europeus e do Oriente Próximo Mike York, tocando pipes, bombarde, duduk e balalaika.

Inicialmente lançado em junho de 2004 como um “álbum em progresso”, uma nota no site da Threshold House lembrava: “Por favor, lembrem-se de que em setembro o Coil gravará o álbum Black Antlers (Proper).” Porém, Jhonn Balance faleceu em novembro daquele ano. Christopherson então se reuniu novamente com o colaborador de Love’s Secret Domain, Danny Hyde, para finalizar o álbum, concluído em maio de 2006.

A gravação de Black Antlers foi marcada por uma energia renovada, acompanhada do humor e dos jogos de palavras característicos do grupo (o título surgiu de uma série imaginária de filmes pornôs). Na abertura da turnê “Evil Fatigue”, em Paris, Balance apresentou a revisitada “Teenage Lightning (10th Birthday Version)” como “uma versão atualizada de um dos nossos antigos-nunca ‘sucessos’”. A faixa pulsa rapidamente, com marimbas de Edwards processadas eletronicamente por Christopherson.

A abertura do disco, “The Gimp (Sometimes)”, é hipnótica e alucinatória, lembrando o Coil dos anos 90, cheia de repetições, vocais distorcidos e drones modulados de Thighpaulsandra. “Sex With Sun Ra (Part One – Saturnalia)” explora o potencial da formação de 2004, serpenteando por um diálogo imaginário com o lendário compositor Sun Ra até atingir um clímax intenso. Na peça complementar, “Sex With Sun Ra (Part Two – Sigillaricia)”, de Christopherson e Hyde, a música se transforma em um ouroboros pulsante de glitches e energia fluida, com amostras dos sopros de York ecoando de forma quase cinematográfica.

Outro destaque é “The Wraiths and Strays of Paris”, expansão da primeira versão da música — “Wraiths and Strays (From Montreal)”, originalmente lançada como faixa bônus digital. A nova versão combina o calor sintetizado de Thighpaulsandra e as manipulações de PowerBook de Christopherson com amostras retiradas de gravações multipista da banda ao vivo, incluindo os vocais de Balance no show de Paris. O resultado concretiza o desejo de Christopherson de levar a música eletrônica “a um lugar inesperado e mais desafiador”.

Em um momento surpreendente, o Coil também interpreta delicadamente a tradicional canção de ninar afro-americana “All the Pretty Little Horses”, que Balance canta quase em sussurro, criando uma atmosfera de intimidade.

Para Christopherson, após a morte de Balance, o significado e a força da obra do Coil mudaram. Ele tinha um objetivo claro: “manter o arquivo disponível para as gerações futuras”. Em sua forma original, Black Antlers apontava para uma nova fase da banda, construída a partir da energia das apresentações ao vivo e de novas ideias sonoras. Na versão final, o álbum reuniu membros do Coil de diferentes épocas, colaborando além das fronteiras do tempo. Não haveria mais novos discos do grupo — apenas a conclusão de projetos inacabados, elevando-os a um nível que Balance “teria amado e aprovado”.

A Dais Records agradece a colaboração de Thighpaulsandra e Danny Hyde nesta reedição. Esta edição apresenta a versão de 2006 de Black Antlers, finalizada por Christopherson e Hyde, com “Wraiths and Strays (From Montreal)” de 2004 incluída como faixa bônus digital. Remasterização de Josh Bonati.