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Mexican Summer
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Descrição

Artista - Cate Le Bon

Título - Michelangelo Dying

Gravadora - Mexican Summer

Ano - 2025

Formato - LP, vinil simples

 

Conduzida pela emoção pura, a criação do sétimo álbum de Cate Le Bon, Michelangelo Dying, tomou o lugar do disco que ela acreditava estar fazendo. Fruto de uma dor amorosa avassaladora, seus sentimentos se sobrepuseram à relutância em escrever um álbum sobre o amor e, nesse processo, o trabalho acabou se tornando uma espécie de exorcismo. O que surge é uma tentativa maravilhosamente iridescente de fotografar uma ferida antes que ela se feche — mas que, ao fazê-lo, também a reabre.

Musicalmente, há a continuidade e a expansão de um som — uma máquina com coração — que vem se delineando em seus dois últimos discos (Reward, de 2019, e Pompeii, de 2022), à medida que Le Bon passou a assumir cada vez mais o controle da execução e da produção. Guitarras e saxofones atravessam pedais, enquanto percussões e vozes passam por filtros, fazendo emergir uma sonoridade verde, sedosa e iridescente, com lampejos das singularidades artísticas de David Bowie, Nico, John McGeoch e Laurie Anderson surgindo e submergindo ao longo do percurso.

O que resta é uma entidade contínua e mutável, uma espécie de ciclo de canções. Cada iteração reflete e faz avançar a anterior; cada faixa é um fragmento do mesmo espelho quebrado, que se desloca, cintila, esconde e revela, dependendo de como é girado à luz. No fim das contas, Cate afirma: não há revelações. Não há conclusões. Não há razão. Há repetição e caos. “Acabei me permitindo um estado de mente vazio para vivenciar tudo isso sem resistência e sem buscar qualquer revelação ou ordem.”

Um exercício da visceralidade da vida, do amor e da humanidade — tanto para a artista quanto para o ouvinte —, Michelangelo Dying compreende o que é segurar, ser segurado e estar, de forma exquisita e profunda, só. “Os personagens são intercambiáveis”, conclui Cate, “mas, no final de tudo, sou eu me encontrando comigo mesma.”