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Artista - Broadcast
Título - The Noise Made By People
Gravadora - Warp Records
Ano - 2015 (2000)
Formato - reedição / LP, vinil simples
The Noise Made by People marcou a estreia definitiva do Broadcast em formato de álbum completo e consolidou o grupo como um dos projetos mais singulares da música britânica do início dos anos 2000. Liderado por Trish Keenan e James Cargill, o disco desenvolve uma linguagem própria que combina pop psicodélico, eletrônica analógica, library music, krautrock e referências à trilha sonora televisiva britânica dos anos 1960 e 70.
Embora o grupo já tivesse chamado atenção com singles e EPs lançados ao longo da década de 1990, The Noise Made by People foi o trabalho que organizou de forma mais clara sua estética: sintetizadores analógicos, loops discretos, batidas minimalistas e melodias delicadas sustentando a voz calma e distante de Trish Keenan.
O álbum foi gravado em um período em que a música eletrônica britânica começava a absorver influências mais retrô e experimentais, mas o Broadcast evitava tanto o revivalismo nostálgico quanto a estética futurista dominante da época. Em vez disso, o grupo construía canções que pareciam existir fora do tempo, aproximando-se tanto da pop experimental de Joe Meek quanto das texturas motorik de bandas como Can e Neu!.
Faixas como “Come On Let’s Go”, “Echo’s Answer” e “Papercuts” exemplificam essa combinação entre acessibilidade melódica e estranheza atmosférica. Mesmo nos momentos mais pop, há sempre algo levemente deslocado: ruídos de fundo, harmonias ambíguas, sintetizadores granulados e arranjos que parecem deliberadamente incompletos.
Grande parte da força do disco está justamente nessa tensão entre clareza e abstração. As músicas raramente explodem ou se resolvem de maneira convencional; elas se movem em ciclos sutis, criando uma sensação hipnótica e melancólica que se tornaria uma das marcas registradas da banda.
Com o passar dos anos, The Noise Made by People passou a ser visto como um dos discos centrais da pop experimental britânica de sua geração. Sua influência pode ser percebida em diferentes vertentes da eletrônica lo-fi, hypnagogic pop e indie experimental que surgiriam nas décadas seguintes, mas poucos trabalhos conseguiram reproduzir o equilíbrio particular que o Broadcast encontrou aqui entre intimidade, estranhamento e precisão sonora.
