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Palilalia Records
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Descrição

Artista - Chris Corsano & Bill Orcutt

Título - Music In Continuous Motion

Gravadora - Palilalia Records

Ano - 2026

Formato - LP, vinil simples

 

Music in Continuous Motion, o mais recente trabalho de Bill Orcutt dentro de sua produção do século XXI dedicada à música para quartetos de guitarras, se afasta deliberadamente do construtivismo de recorte e colagem de Music for Four Guitars para entrar em uma camada sonora mais melódica, profundamente humana e concebida para a performance.

Criado para um concerto em Nova York em 2026, Music in Continuous Motion mantém a concisão de seu antecessor, mas substitui a precisão mecânica e fragmentada de Music for Four Guitars por uma abordagem de união: cada faixa entrelaça quatro linhas brilhantes na trama de uma textura complexa e em constante transformação. Motivos simples e repetitivos são utilizados para construir novas melodias a partir do próprio contraponto. Tudo isso acontece de maneira extremamente econômica: a maioria das 12 faixas tem cerca de dois minutos e meio, apresentando primeiro a base, depois a melodia e suas variações, até se encerrar abruptamente como uma caixinha de música mecânica.

Com base em seus trabalhos anteriores, Orcutt parece gostar de estabelecer condições-limite para seus discos de guitarra. Muitas vezes, o ponto de partida é evidente (The Four Louies, How to Rescue Things); em outras, ele é deliberadamente ocultado. Ao convidar Tom Carter para escrever sobre cada lançamento, Orcutt costuma oferecer alguma pista — como quando disse, sobre Music for Four Guitars, que era “mais um disco de captador da ponte do que de captador do braço”. Embora essas pistas possam ser falsas, até então todas pareciam indicar algum tipo de concepção ou regra oulipiana, ainda que obscura, que ajudava a determinar o resultado.

Por isso, Carter se surpreendeu com a explicação de Orcutt sobre Music in Continuous Motion: “O mistério de como a mesma pessoa, o mesmo processo e o mesmo equipamento produzem resultados diferentes.” Quando questionado, Orcutt acrescentou que o disco não possui “tercinas”, algo que Carter ainda não contou para verificar por conta própria.

Independentemente da estrutura que o processo de gravação possa ter determinado, o percurso do álbum finalizado é explicitamente poético. Assim como no trabalho anterior, os títulos das faixas, lidos em sequência, formam imagens fugazes. Mas, em contraste com as formas distantes sugeridas por Music for Four Guitars, a narrativa atual se concentra no movimento de polígonos momentaneamente apreendidos — e logo perdidos — enquanto giram pelo espaço: “Porque o afiado também é suave”, “E quente ao toque”, “Agora quase desaparecido”, “Mas sempre em movimento”, “Impossível de alcançar”.

No fim, a principal diferença entre os dois álbuns — e o que coloca Music in Continuous Motion no território da poesia — está na celebração do movimento em vez da imobilidade, da melodia em vez da forma, da música como um fio elétrico diretamente ligado ao coração, em vez de mais um avanço numa disputa por quem consegue ser mais indecifrável.