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Artista - Adrian Younge; Carlos Dafé
Título - Jazz Is Dead 25
Gravadora - Jazz Is Dead
Ano - 2025
Formato - LP, vinil simples
Carlos Dafé, nascido em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, cresceu cercado por música e poesia. Seu pai, músico de chorinho, e sua mãe, poeta, cultivaram seu talento desde cedo. Aos quatro anos, ele já corrigia notas nos ensaios do pai; aos onze, estudava no Conservatório de Música; e, aos quatorze, já se apresentava com conjuntos e orquestras. Nos anos 1970, Dafé tornou-se um dos pilares do movimento da música negra brasileira, ao lado de Tim Maia, Cassiano, Wilson Simonal e Banda Black Rio. Conhecido como “O Príncipe do Soul”, título dado por Nelson Motta, Dafé harmonizou samba, soul e funk, criando sucessos duradouros como “A Beleza É Você Menina”.
A carreira de Dafé atravessa décadas de colaborações, reconhecimento e influência cultural. De turnês internacionais com a banda dos Fuzileiros Navais à composição de trilhas sonoras para cinema, suas contribuições ajudaram a moldar a identidade artística do Brasil. Em Trem do Soul, documentário de 2021 sobre a cena cultural negra carioca, sua obra é celebrada como um dos alicerces desse movimento. Sua voz grave, letras marcantes e sonoridade inovadora fizeram dele um mentor e um ícone cultural para gerações.
Adrian Younge descobriu pela primeira vez o trabalho de Dafé por meio da faixa “Pelas Sombras”, do revolucionário álbum de 1972 de Arthur Verocai, uma obra sampleada por artistas como Dr. Who Dat? e Michael Da Vinci. Eles foram apresentados pelo próprio Verocai, o que levou à colaboração em Jazz Is Dead 025, marcando um novo e ousado capítulo na carreira de Dafé. Em Los Angeles, Dafé ficou impressionado com o processo criativo de Younge. “Fiquei maravilhado com os arranjos estupendos que Adrian havia criado, então fiz questão de deixar bastante espaço para que os instrumentais brilhassem”, disse Dafé. Ao lado dos colaboradores BID, Gabriel Moura, sua esposa Marilda e seu filho Jorge Mário Dafé, ele escreveu melodias, letras e passagens faladas inspiradas em histórias que costumava contar aos filhos.
Dafé também buscou inspiração espiritual durante o processo de gravação, visitando uma igreja próxima para rezar e pedir orientação. Relembrando uma conversa com Tim Maia nos anos 1970, observou como Tim já havia previsto a ascensão da música pop falada, antecipando o rap. Com isso em mente, Dafé incorporou ao álbum texturas vocais inspiradas em Barry White e ritmos que ecoam suas raízes soul, ao mesmo tempo em que abraçam a inovação contemporânea. Com Jazz Is Dead 025, Carlos Dafé reafirma seu legado enquanto se aventura por territórios musicais ainda inexplorados.
O álbum celebra a extraordinária capacidade de Dafé de conectar passado e presente, misturando soul, samba e funk com experimentação contemporânea. Sua história, sua voz e sua arte continuam a inspirar, fazendo dele não apenas um dos pilares da música negra brasileira, mas também uma figura atemporal na história da música mundial.
