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Jazz Is Dead
Descrição

Artista - Adrian Younge; Ali Shaheed Muhammad; Dom Salvador

Título - Jazz Is Dead 24

Gravadora - Jazz Is Dead

Ano - 2025

Formato - LP, vinil simples

 

O Jazz Is Dead continua sua jornada de homenagear lendas da música com Dom Salvador JID024, um álbum que revisita e revitaliza o espírito pioneiro de um dos músicos mais influentes do Brasil. Dom Salvador, o desbravador que fundiu samba com jazz, funk e soul no fim dos anos 1960 e início dos anos 1970, é a pedra fundamental de um movimento que moldou o som da música negra brasileira. Agora, em colaboração com Adrian Younge e Ali Shaheed Muhammad, ele retorna a essa base de uma forma totalmente nova.

Uma lenda viva retorna às suas raízes: a influência de Dom Salvador na música brasileira é imensurável. Como arquiteto do álbum revolucionário Som, Sangue e Raça (1971) e líder do grupo pioneiro Abolição, ele abriu espaço para a consciência negra na cena musical do Brasil, fundindo o jazz e o funk norte-americanos com ritmos afro-brasileiros. Seu trabalho preparou o terreno para o surgimento de bandas como o Black Rio, aproximando ainda mais os sons da negritude brasileira da experiência negra nos Estados Unidos.

Com JID024, Younge e Muhammad criaram um conjunto de composições que dão continuidade às conversas sonoras e culturais iniciadas por Dom Salvador décadas atrás. O projeto funciona tanto como uma homenagem quanto como um diálogo — uma extensão de seu som pioneiro, filtrada pela lente da produção analógica contemporânea.

Honrando o passado, moldando o futuro: Adrian Younge descreve o álbum como um esforço consciente para se reconectar com o espírito das obras seminais de Salvador. “Queríamos voltar àqueles discos que amávamos tanto”, explica Younge. “Aos que misturavam jazz, funk e samba de um jeito que refletia o movimento de consciência negra no Brasil.”

Em muitos sentidos, JID024 é mais um convite do que uma simples colaboração — um convite feito a Salvador para participar de um projeto inspirado por seu legado. “Escrevemos este álbum na esperança de que ele quisesse gravá-lo conosco”, admite Younge. “E ele disse sim. Isso é parte do que torna tudo tão mágico. Uma pessoa da idade e da estatura dele escolher fazer parte disso diz muito.”

Conectando os sons da negritude brasileira e norte-americana: um dos temas centrais de JID024 é a conexão histórica e musical entre a população negra do Brasil e dos Estados Unidos. Younge destaca como o trabalho inicial de Salvador ajudou a estabelecer esse diálogo transcontinental. “Dom Salvador foi um dos primeiros a misturar samba com jazz e funk de uma maneira que ressoava com o período pós-direitos civis nos EUA”, explica. “Desde a forma como os músicos se vestiam até a maneira como tocavam, havia uma sinergia inegável.”

Este álbum, portanto, é a continuação dessa conversa. É uma celebração do impacto de Salvador, uma reafirmação do espírito revolucionário presente na música e uma demonstração de como essas ideias ainda podem ser expandidas hoje.

Um som atemporal reimaginado: cada faixa de JID024 representa uma faceta diferente da trajetória de Salvador, dos grooves profundos do samba-funk a composições mais reflexivas, impregnadas de jazz. Embora Salvador permaneça uma figura de humildade, sua presença neste álbum é um testemunho de seu legado duradouro. Como resume Younge: “Isso é sobre estabelecer fundamentos, sobre contar uma história que lembre às pessoas o quão importante Dom Salvador é.”

Refletindo sobre a experiência, Dom Salvador compartilhou: “Foi uma experiência maravilhosa, capturando um momento espontâneo. Entrar no estúdio sem saber o que iria acontecer, criar tudo ali, no momento, e fazer tudo em analógico, sem edições, foi extremamente estimulante.”

Com JID024, o Jazz Is Dead não apenas celebra uma lenda — ele contribui ativamente para a evolução do som que ela ajudou a criar. Este álbum é mais do que uma gravação; é uma ponte entre passado e presente, uma reafirmação do poder da música negra através dos continentes e um reconhecimento a um homem cuja influência continua a reverberar ao longo do tempo.