| 1 x de R$255,00 sem juros | Total R$255,00 | |
| 2 x de R$148,73 | Total R$297,46 | |
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| 4 x de R$75,79 | Total R$303,14 | |
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| 9 x de R$34,45 | Total R$310,05 | |
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| 11 x de R$28,49 | Total R$313,37 | |
| 12 x de R$26,23 | Total R$314,77 |
| 1 x de R$255,00 sem juros | Total R$255,00 | |
| 2 x de R$139,79 | Total R$279,58 | |
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| 4 x de R$70,99 | Total R$283,97 | |
| 5 x de R$58,29 | Total R$291,49 | |
| 6 x de R$48,58 | Total R$291,52 | |
| 7 x de R$42,52 | Total R$297,64 | |
| 8 x de R$37,20 | Total R$297,66 | |
| 9 x de R$33,91 | Total R$305,21 | |
| 10 x de R$30,76 | Total R$307,66 |
Artista - عبده العماري = Abdou El Omari
Título - Lost Tape - 1980
Gravadora - Born Bad Records
Ano - 2025
Formato - material de arquivo / LP, vinil simples
Abdou El Omari nasceu em 1945, em Tafraout, ao sul de Agadir, uma vila situada entre os picos de granito rosado do Anti-Atlas e as águas do Atlântico — uma paisagem que já parecia musical por natureza. Cresceu sob a luz seca das montanhas, cercado pelos ritmos da natureza e pela cultura berbere.
Pouco se sabe sobre sua vida, e esse véu de mistério apenas torna sua trajetória ainda mais fascinante. Seu nome permaneceu relativamente discreto, mas sua música continuou viajando pelo tempo, como se viesse de outra época — ou talvez de um sonho compartilhado entre as noites azuladas de Casablanca e as dunas silenciosas do Saara.
Durante os anos 1970, enquanto o Marrocos atravessava um período de profundas transformações, Abdou El Omari desenvolveu uma linguagem musical absolutamente própria: uma fusão visionária entre jazz espiritual, funk psicodélico, tradições marroquinas e as primeiras experiências com música eletrônica. Hoje, sua obra ressurge pelas mãos de uma nova geração de ouvintes em busca de tesouros esquecidos. Este álbum reúne alguns de seus registros mais raros e preciosos.
Uma jornada iniciática
Aos dez anos de idade, El Omari deixou as montanhas do sul rumo ao grande porto de Casablanca, cidade vibrante onde se cruzavam culturas árabes, berberes, africanas, europeias e americanas. A música estava em toda parte: nas rádios, nos cafés, nos clubes de jazz administrados por judeus marroquinos e expatriados, e nas caixas de discos trazidas por soldados americanos de passagem.
Sua trajetória esteve longe de ser convencional. Enquanto seu irmão administrava uma loja de discos, Abdou trabalhou primeiro como açougueiro e depois como empregado de uma família francesa. Foram eles que o incentivaram a estudar cabeleireiro e, posteriormente, o ajudaram a ingressar no Conservatório de Casablanca, em 1960.
Durante sete anos de estudos, tornou-se também luthier, conheceu diversos músicos e descobriu o instrumento que definiria sua identidade sonora: o órgão Farfisa, símbolo da música psicodélica e moderna, utilizado por artistas que iam de Pink Floyd a Terry Riley.
Paralelamente, após formar-se cabeleireiro, fundou sua própria escola de cabeleireiro feminino em Casablanca, na década de 1970, e mais tarde abriu uma segunda unidade em Safi. Sua escola foi a única do país oficialmente reconhecida pelo governo marroquino, reflexo de seu profissionalismo e dedicação ao ensino. Apesar de seu enorme talento musical, Abdou El Omari jamais viveu exclusivamente da música.
Uma música vinda de outro lugar
Aos 22 anos, fundou seu primeiro grupo, Les Fugitifs, que lhe trouxe reconhecimento local. Em seguida, lançou compactos de 7 polegadas e fitas cassete por selos como Cléopâtre, Hassania, Boussiphone, Hilali e seu próprio selo, Al Awtar, além de se apresentar na emissora estatal RTM. Também compôs para artistas como Naima Samih, Laila Ghofran e Aicha El Waad.
Em 1976, lançou, pelo selo Gam, seu único álbum em vinil, Nuits d'été, um disco que décadas depois se tornaria cult e seria relançado em 2017 pela Radio Martiko. Em entrevista à imprensa marroquina, resumiu sua proposta de forma simples:
"Procuro dar à música marroquina um aspecto moderno."
Em um cenário ainda dominado por grandes orquestras, El Omari construiu uma ponte inédita entre tradição e modernidade. Inspirado pelo jazz de John Coltrane, pelas explorações cósmicas de Sun Ra e pelos ritmos gnawa e chaâbi, criou uma sonoridade luminosa e fluida, em que jazz, funk e trance marroquino se misturam sobre grooves hipnóticos e ecos espaciais. Acima de tudo isso, seu Farfisa paira como uma nave espacial cruzando as montanhas do Atlas.
A era de ouro e o silêncio
Na década de 1980, sua música tornou-se mais introspectiva e reservada. Tentou recuperar antigas fitas gravadas em estúdios pelos quais havia passado, mas acabou se afastando gradualmente da cena musical, retornando definitivamente à profissão de cabeleireiro.
Pioneiro na fusão entre tradição marroquina e música moderna, abriu caminhos que permaneceriam praticamente inexplorados durante muitos anos. Abdou El Omari faleceu em 2010, sem testemunhar a redescoberta de sua obra por pesquisadores, colecionadores e garimpeiros musicais na internet, por meio de plataformas como Discogs, Blogspot e YouTube. Viveu uma vida discreta, mas deixou um legado de enorme ressonância.
A fita redescoberta
A história poderia terminar aí. Mas um dia, seu amigo próximo e poeta Aziz Essamadi resgatou de uma lixeira uma caixa de papelão contendo os arquivos pessoais de Abdou El Omari.
Mais tarde, esse material foi entregue ao colecionador de Casablanca Ahmed Khalil, fundador do selo Dikraphone, que, após um longo trabalho de pesquisa e preservação, conseguiu organizar esse extraordinário acervo.
Dentro da caixa havia verdadeiros tesouros preservados pelo acaso: demos, ensaios, gravações particulares, fotografias inéditas e uma impressionante fita cassete praticamente esquecida. Nela, El Omari surge mais ousado do que nunca, explorando territórios onde pop, disco cósmica, blues elétrico e tradição marroquina convivem sem qualquer fronteira.
Munido de seu sintetizador ARP Odyssey, de grooves hipnóticos e das camadas etéreas do Farfisa, ele amplia o diálogo entre raízes profundas e experimentação eletrônica. Os padrões rítmicos do funk se entrelaçam aos compassos ternários em 6/8 da música marroquina, criando um transe psicodélico singular — uma música que parece emergir de um Marrocos paralelo, dividido entre o sonho e a memória.
O sonho continua
Este álbum representa a continuidade de uma visão artística: uma música marroquina voltada para o futuro, profundamente enraizada em sua tradição, mas sempre em busca do desconhecido.
Colorido, magnético e atemporal, é um disco feito tanto para dançar quanto para sonhar. Se Nuits d'été marcou o amanhecer dessa jornada, este trabalho agora redescoberto representa sua plena realização — um convite para explorar o universo singular e visionário de Abdou El Omari.
